Não compartilho das bizarrices produzidas pela espetacularização do "eu" entre os pseudo-espirituais.
Não fui chamada para patrocinar a ignorância entretendo pessoas com os gritos vazios, artifícios. e mecanismos dos falsificadores do evangelho.
Não gosto de emprestar meus ouvidos à quem não ama a bíblia o suficiente para estudá-la, mas se auto-idolatra o bastante pra pensar que os "quatro cantos da terra" deve ouví-lo pregar.
Penso que quem persegue as multidões geralmente ignora os que estão do lado, pode ser admirado mas nunca conhecido, nunca permite que alguém rompa a distância imposta pelo seu pedestal,desempenha seu personagem, em detrimento da pessoa que deveria ser.
Quanto a mim, anseio pelo contacto, pelo convívio, pela lágrima e sorriso dos que estão ao redor de mim.
Ser humana é meu talento, não me importa a luz dos holofotes, prefiro a complexidade dos relacionamentos...
Fico perplexa diante dos púlpitos à serviço das vaidades, com que facilidade rebaixam o nome de Cristo ao nível de suas mediocridades.
Também me enoja essa gente fingida, ostentando seus título pomposos, tão vazios da verdade.
Eu que não sou dada a desabafos, inimiga dos desacatos, eis-me descomposta aqui...
É que estamos tão perto do fim, e tanta gente pensando que o mundo órbita em torno de si.
Cadáveres insepultos disfarçados de cristãos, que o mal cheiro de suas almas putrefeitas lhes forcem a vomitar essas manias de grandeza.
O céu é pra quem regurgitar todo antropocêntrismo deglutido em nossas igrejas.
Não sou dessas cabeças ocas e egos inflados...que estão construindo impérios e destruindo o legado.
Quero da parte de Deus a coragem de Paulo, pra sacudir as vestes, lavar a consciência e "ir para os gentios" atender o meu chamado.Não quero o aplauso dos religiosos, prefiro o grito dos desesperados.
Eu ando por estas ruas e não consigo assistir este roteiro sórdido da minha geração, sem me perguntar se o evangelho que estou vivendo faz diferença para os que estão ali ...essa gente desvairada,.com suas máscaras pré-fabricadas, fingindo ser feliz.
E a gente dentro da redoma, com discurso decorado...
..."salvando as almas"...e matando as pessoas...
..sem tempo para o pecador mas institucionalizando o pecado.
Deus não me chamou pra fazer teatro religioso,muito menos pra estar na platéia confinada à ilusão de um cristianismo de rótulos e estereótipos.
Eu transito na contra-mão, não quero galgar espaços ou estatus...quero rastejar até o buraco de onde eu vim...lá me esperam os desgraçados que sendo vivos enterrados só precisam que eu lhes aponte a Porta por onde eu saí.
Talvez este sentimento cause estranheza para quem leu até aqui...perdoe meus termos abrasivos, mas isto ainda é só um pouco do que você não sabe de mim.
Laudiceia Mendes.



